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Limpeza Cármica e Quietude: Como Aproveitar o Período de Dezembro a Janeiro

  • Foto do escritor: Fernanda Bienhachewski
    Fernanda Bienhachewski
  • 18 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Para a cultura tailandesa, o período compreendido entre quinze de dezembro e meados de janeiro não representa apenas uma mudança no calendário, mas uma fase de encerramento e transição. Por ser reconhecido como um estágio energeticamente profundo, os monges anciãos orientam que tenhamos um cuidado especial com nossas ações e pensamentos.


Este intervalo não é considerado um tempo de má sorte ou perigo, mas sim uma travessia silenciosa, em que uma fase conclui seu ciclo antes que a próxima possa florescer. Durante essas semanas, a energia natural do mundo deixa de se mover para fora e volta-se para o interior, fazendo com que a vida desacelere de maneira visível. O ímpeto externo enfraquece enquanto a consciência interna se fortalece. É comum que as pessoas se sintam menos impulsivas e mais inclinadas à reflexão, sentindo um redirecionamento da atenção para o campo espiritual e mental.


Esse movimento interno frequentemente traz à tona questões que ficaram sem resolução ao longo do ano. Responsabilidades inacabadas, conversas adiadas, promessas não cumpridas ou questões emocionais persistentes tendem a reaparecer em nossos pensamentos. Para o budismo tailandês, esses temas cármicos surgem não como punição, mas como convites à conclusão, pedindo que o que foi evitado ou postergado seja finalmente reconhecido e finalizado para que o ciclo se complete.


No entanto, à medida que o movimento externo desacelera, é natural que surja uma sensação de peso emocional, fadiga ou quietude. Nossos egos, que geralmente preferem as certezas e o controle constante, podem sentir este período como particularmente desafiador. O ego torna-se inquieto porque os velhos padrões de comportamento perdem a força antes que os novos se formem totalmente, criando uma sensação de incerteza interpretada como ameaça ou estagnação. Contudo, esse desconforto é parte integrante do processo necessário de transição e ajuste da própria evolução do ser.


Nesta fase, não é aconselhável agir com agressividade, pois há uma tendência a mal-entendidos e confusões. Da mesma forma, não é o momento ideal para grandes lançamentos, compromissos apressados ou decisões tomadas sob impulso. Em vez de lutar contra as circunstâncias ou entrar em confrontos que drenam a vitalidade, a recomendação é cultivar a observação, a paciência e a restrição. O período favorece imensamente a simplificação e a organização da vida e o abandono de hábitos que já não servem ao nosso propósito mais elevado. É um tempo de mudança interna, onde novas direções começam a se formar silenciosamente antes de se tornarem visíveis ao mundo.


A prática da quietude — como sentar-se em meditação ou permitir momentos de silêncio — ajuda a alinhar a mente com o ritmo energético atual. Atos simples, como acender uma vela, orar ou ouvir mantras, funcionam como ferramentas para reduzir o ruído mental e aprofundar a percepção. Quando a atenção não está dispersa, a intuição se fortalece e os insights chegam de forma mais orgânica.


A partir de meados de janeiro, a energia gradualmente volta a se expandir para o exterior, trazendo clareza e direção, substituindo a incerteza anterior. Para o budismo tailandês, a verdadeira evolução espiritual neste período acontece através da observação e da entrega. Ao seguir o fluxo natural de recolhimento, preparamo-nos para que, quando o impulso retornar, possamos construir novas experiências com maior esclarecimento e maturidade. Para os antigos sábios do Oriente, todo movimento significativo da vida sempre se inicia na imobilidade e no silêncio do fechamento de um ciclo.



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