A Correlação Secreta entre as Cartas de Tarô
- Fernanda Bienhachewski

- 19 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
O Tarô é frequentemente visto apenas como uma coleção de cartas isoladas, cada uma com seu próprio significado e conselho individual. No entanto, o que muitos não percebem é que existe uma trama invisível que une cada arcano, formando uma narrativa que engloba tanto aspectos da psique humana como do amadurecimento espiritual. Ao desvendar essa correlação secreta, deixamos de ver as cartas apenas como imagens aleatórias e passamos a compreender a jornada evolutiva do Tarô.

Essa jornada se manifesta como uma ordem progressiva que vai do Arcano 1, o Mago, até o Arcano 21, o Mundo, retornando finalmente à carta sem número, o Louco, que representa o nada, o vazio e o recomeço de todo o ciclo.
Essa trajetória que começa com o Mago (simbolizando o início de tudo, a ação do livre-arbítrio e a vontade de manifestar uma ideia ou projeto), segue para a Sacerdotisa, que introduz a temática da reflexão, da interiorização e da passividade, o desenvolvimento continua através da Imperatriz, que fala sobre dedução e concretização, encaminhando-se para o Imperador, que personifica o controle, a autoridade e a estabilidade, avançando sucessivamente até atingir o Mundo, onde encontramos a conclusão, a realização e a saturação de todas as possibilidades criadas pelo Mago. O elo final dessa corrente é o Louco, que une o fim ao início, garantindo que um ciclo contínuo de começo, meio, fim e recomeço.
Essa conexão se torna ainda mais evidente quando analisamos elementos simbólicos comuns a diferentes arcanos, como é o caso do chapéu. Representando a inteligência humana, a esperteza e a sagacidade, o chapéu aparece em três momentos importantes do baralho: no início com o Mago, no meio com a carta da Força e ao final com o Louco.
Outro elemento recorrente é o Sol, que simboliza a vida espiritual, a consciência, a verdade e o esclarecimento. Na carta os Enamorados, o Sol aparece ocultado pelo Cupido, indicando que a consciência é tolhida pelo desejo e pela vaidade, enquanto na carta a Lua, ele surge eclipsado, simbolizando que as forças inconscientes e emocionais estão acima do esclarecimento, trazendo à tona sonhos, memórias e ilusões. Já no Arcano 19, o próprio Sol, ele é plenamente visível, demonstrando clareza na trajetória de vida, enquanto no Julgamento ele surge atrás do Arcanjo, que parece nos ofertar um novo destino. Juntas, as cartas que contêm o Sol narram os estágios da consciência, passando pela escolha (Enamorados), imaginação (Lua), esclarecimento (Sol) e transcendência (Julgamento).
A Lua também desempenha um papel fundamental no Tarô, e representa a alma, a emoção e o inconsciente e está presente em três cartas específicas. Na Sacerdotisa do baralho Waite-Smith, a figura central utiliza uma coroa lunar e possui uma lua sob o pé esquerdo, revelando seu domínio sobre a intuição. No Carro, o personagem principal apresenta ombreiras de meia lua, que demonstram proteção espiritual e controle emocional. Por fim, na carta da Lua, o astro eclipsa o sol demonstrando que a consciência está sendo ofuscada pelas emoções e pela ação do passado.
Já a água simboliza a vida terrena, nutrição, desejo, sentimentos e purificação. Na Temperança, a água alternada entre os jarros simboliza sentimentos sendo analisados e reordenados no coração. Na Estrela, o líquido é despejado no rio, representando o momento em que nos libertamos e damos fluidez à vida. Na carta da Lua, a água aparece em um lago parado, simbolizando sentimentos retidos, enraizados e ocultos que devem ser analisados durante o processo de autoconhecimento. Finalmente, no Sol, a água atinge o estado de orvalho, simbolizando o futuro, a transcendência e a plena felicidade encontrada após o perdão e a aceitação dos limites impostos pela vida.

Compreender o Tarô como um sistema interconectado transforma a leitura em uma ferramenta muito mais potente de autoconhecimento. Ao observar de que maneira os elementos como o sol, a lua e a água se transformam ao longo do baralho, percebemos que nenhuma fase da vida é estática; estamos sempre em movimento entre a ânsia por aprendizado do Mago e a plenitude do Mundo. Essa dança eterna entre as cartas nos lembra que o fim de um ciclo é apenas o prelúdio para o próximo passo do Louco, convidando-nos a abraçar cada etapa de nossa própria jornada com mais clareza, paciência e propósito.



Comentários