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O Tarô Waite-Smith

  • Foto do escritor: Fernanda Bienhachewski
    Fernanda Bienhachewski
  • 6 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de dez. de 2025


O Tarô Rider-Waite-Smith é, sem dúvida, um dos baralhos mais influentes e reconhecidos no Esoterismo moderno, servindo como referência para quase todos os Tarôs contemporâneos. Sua origem remonta ao início do século XX, resultado da colaboração entre o proeminente ocultista Arthur Edward Waite e a talentosa artista Pamela Colman Smith, ambos membros da Ordem Hermética da Golden Dawn.


Seu surgimento gerou uma verdadeira revolução na forma como o Tarô era lido e interpretado. Antes de sua publicação em 1909 pela editora William Rider & Son, a maioria dos baralhos, como o tradicional Tarô de Marselha, apresentava ilustrações detalhadas e narrativas apenas nas 22 cartas dos Arcanos Maiores. Os Arcanos Menores eram, em grande parte, cartas esteticamente mais simples, mostrando apenas o número correspondente e o símbolo do respectivo naipe, o que exigia do tarotista um estudo e uma memorização mais complexa de seus significados. No baralho Rider-Waite-Smith, todos os Arcanos (Maiores e Menores) são ilustrados, o que adiciona uma nova camada à leitura das cartas.


A Golden Dawn (Aurora Dourada) foi uma sociedade secreta e mágica de grande importância, fundada em Londres em 1888. É considerada a organização ocultista ocidental mais influente da história moderna, pois sintetizou e sistematizou um vasto corpo de tradições esotéricas, incluindo a Cabala, a Astrologia, a Alquimia e a Magia cerimonial, em um sistema de estudo, baseado na Árvore da Vida cabalística. Waite se juntou à Ordem no final do século XIX e, mais tarde, a artista Pamela Colman Smith também se tornou membro por volta de 1903.


Arthur Edward Waite
Arthur Edward Waite

Para os membros da Golden Dawn, o estudo do Tarô – particularmente as correspondências entre as 22 cartas dos Arcanos Maiores e os 32 Caminhos da Árvore da Vida cabalística – era um componente fundamental do currículo e um requisito para o avanço na organização. Os Adeptos eram frequentemente encorajados a desenhar seus próprios Tarôs com base nas descrições simbólicas contidas no "Livro T" (Liber T) da Ordem.


Depois de conflitos internos na Ordem original, Waite ajudou a formar e liderar a facção que se tornou conhecida como a Holy Order of the Golden Dawn (Ordem Sagrada da Aurora Dourada), na qual ele se tornou Grão-Mestre, antes de fundar sua própria Ordem, a Fellowship of the Rosy Cross.


Sua decisão de criar o Tarot Rider-Waite-Smith e convidar Smith para ilustrá-lo era um esforço para "retificar" e divulgar, de forma velada, um baralho mais rigorosamente alinhado com essas doutrinas esotéricas. Waite forneceu as instruções detalhadas e as associações simbólicas, mas foi a visão intuitiva e talentosa de Smith que, ao ilustrar todos os Arcanos Menores com cenas vívidas e narrativas, transformou o baralho em algo totalmente inédito. Essa inovação de ilustrar as 78 cartas foi o que verdadeiramente democratizou a leitura do Tarô, tornando-a mais acessível, pois as ilustrações auxiliam na intuição, beneficiando cartomantes menos experientes.


O poder simbólico do baralho reside nessa profunda elaboração imagética, onde cada naipe – Ouros (materialidade), Paus (sexualidade e criatividade), Copas (emoções) e Espadas (intelecto) – é visualmente encenado. A diferença crucial entre o Rider-Waite-Smith e seus antecessores está no fato de que as imagens são a própria chave para a interpretação. Por exemplo, a carta Três de Espadas não mostra apenas três espadas; ela retrata três espadas perfurando um coração flutuante sob chuva, uma imagem universal de desgosto e perda que comunica seu significado de forma instantânea e visceral. Outro exemplo notável é o Dez de Ouros, que não apenas exibe dez moedas, mas sim uma cena familiar completa, com figuras de todas as gerações exibindo o conforto da riqueza, simbolizando segurança familiar. A carta Cinco de Paus ilustra cinco jovens em luta desorganizada, mas sem ferimentos graves, transmitindo visualmente o conceito de pequenos conflitos ou competição desportiva. De igual modo, o Nove de Copas mostra um homem satisfeito, de braços cruzados, em frente a uma cortina adornada com nove taças, uma representação clara da satisfação emocional e realização de desejos.


Pamela Colman Smith
Pamela Colman Smith

Esteticamente, o baralho é inconfundível. Pamela Colman Smith desenvolveu as ilustrações com um estilo que mistura o Art Nouveau da época com uma qualidade onírica e teatral. A paleta de cores também é carregada de significado esotérico, utilizando o Amarelo para o divino, o Azul para a verdade e a intuição, o Vermelho para a energia e a paixão, e o Verde para o crescimento. Essa estética acessível, combinada com a profundidade do simbolismo enraizado na Golden Dawn, solidificou o Rider-Waite-Smith como um baralho fundamental para o estudo e a prática do Tarô contemporâneo, garantindo seu status como o baralho mais utilizado em todo o mundo.




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